
Nos idos de 1854, o cacique Seattle, já alertava sobre os riscos da degeneração do planeta: “o que ocorrer com a Terra recairá sobre os filhos da Terra.”.
Também é do cacique Seattle uma das visões sacralizadas do nosso planeta: “Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados.”
No entanto, nem sempre prevaleceu, nas culturas humanas, esta percepção de que tudo é sagrado e que o sagrado está em todo lugar.
No Antigo Testamento, por exemplo, fixava-se, claramente, uma fronteira entre o profano e o sagrado. Havia os lugares sagrados (os templos), as pessoas sagradas (os sacerdotes), os objetos sagrados (recipientes utilizados na liturgia) e os outros espaços e ações concretas eram identificados como lugares profanos.
No Novo Testamento, sob inspiração de Jesus Cristo, tudo passa a ser sagrado. Ao expulsar vendedores e cambistas do templo, Cristo deixa claro que o santuário do seu próprio corpo é, também, um lugar sagrado. A santa ceia não acontece em um suntuoso templo, mas em um simples aposento… sagrado !
Ainda que estruturas de poder arcaicas resistam durante séculos, mantendo, como exclusivos, os espaços, os objetos e as pessoas “sagradas”, diferenciadas de tudo mais que é profano, o conceito de sagrado pode ser entendido, também, no plano das relações com o meio ambiente.
Entender a natureza como um espaço sagrado exige uma nova forma de ver a realidade e, assim, cultivar a harmonia no relacionamento com as pessoas e nas interações com os espaços que nos cercam, uma verdadeira sacralização das relações humanas com a natureza e seus desdobramentos no mundo material e espiritual.
A crise ambiental é antes de tudo uma crise cultural que consolidou o desencanto na percepção da natureza como algo sagrado. Os recursos naturais passaram a ser vistos como algo utilitário na geração exclusiva do lucro. Mas, independente de posições econômicas, é indiscutível a importância da sustentabilidade do planeta. Ela é condição essencial para a sobrevivência da humanidade e a preservação da vida. Que cada um faça a sua parte!