O Significado de Empreendedorismo

J. Gregory Dees

Escola de Graduação em Administração (Graduate School of Business)
Universidade de Stanford (Stanford University)

 

As Origens da Palavra "Empreendedor"

No vocabulário comum, ser um empreendedor está associado com a criação de um negócio, mas essa é uma forma pobre de se aplicar tal termo, que possui uma rica história e um significado muito mais abrangente.

O termo "empreendedor" surgiu na economia francesa por volta dos séculos XVII e XVIII. Em francês, significa aquele se compromete com um trabalho ou uma atividade específica e relevanta. Mais especificamente, veio para ser usado para identificar indivíduos ousados que estimulavam o progresso econômico buscando novas e melhores formas de fazer as coisas.

O economista francês mais comumente reconhecido por dar a tal expressão esse significado particular é Jean Baptiste Say. Escrevendo na virada do século XIX, ele o emprega neste sentido,

 "O empreendedor move recursos econômicos de uma área de baixa para uma área de maior produtividade e grande retorno"

Empreendedores geram valor.

No século XX, o economista mais proximamente associado ao termo foi Joseph Schumpeter. Ele descreveu os empreendedores como os inovadores que dirigem o processo "criativo-destrutivo" do capitalismo. Em suas palavras, "a função do empreendedor é reformar ou revolucionar o modelo de produção."

Eles podem fazer isso de diferente maneiras: 

"explorando uma invenção ou, mais genericamente, uma possibilidade tecnológica ainda não testada para produzir novas mercadorias, ou uma antiga já existente de uma nova maneira; criando uma nova fonte de suprimento de materiais ou uma nova forma de escoamento de produtos; reorganizando uma indústria e assim por diante."

Os empreendedores de Schumpeter são os agentes de mudança na economia. Servindo novos mercados ou criando novos meios para fazer as coisas, ele movem a economia para frente.

É verdade que muitos dos empreendedores que Say e Schumpeter têm em mente servem a suas função iniciando novos negócios com fins de lucro, mas iniciar um negócio não é a essência do empreendedorismo.

Embora outros economistas possam ter usado o termo com diversas matizes, a tradição de Say e Schumpeter que identifica os empreendedores como os catalisadores e inovadores por trás do progresso econômico serviu de base para o uso contemporâneo deste conceito.

[REVISÃO] O empreendedor e a PRODUTIVIDADE

O bom empreendedor, ao agregar valor a produtos e serviços, está permanentemente preocupado com a gestão de recursos  e com os conceitos de eficiência e eficácia.

Cadeia da produtividade

                RECURSOS à PRODUTOS ou  SERVIÇOS  à RESULTADOS

Conceitos

            EFICIÊNCIA: relação entre PRODUTOS ou SERVIÇOS / RECURSOS

            EFICÁCIA: relação entre RESULTADOS/PRODUTOS ou SERVIÇOS

OBS:- RECURSOS: (relacionar a série de recursos discutidos em sala de aula e acrescentar outros recursos não discutidos)

Teorias Atuais de Empreendedorismo

Escritores contemporâneos em gestão e administração têm apresentado uma vasta série de teorias do empreendedorismo. Muitos dos principais pensadores continuam creditando a tradição Say e Schumpeter enquanto oferecem variações sobre o tema.

(1) Peter Drucker começa com a definição de Say, mas a amplia para focá-la em oportunidades.

Drucker não vê os empreendedores causando mudanças, mas vê-los explorando as oportunidades que as mudanças criam (na tecnologia, na preferência dos consumidores, nas normas sociais etc.). "Isso define empreendedor e empreendedorismo - o empreendedor sempre busca a mudança, a responde e a explora como uma oportunidade", diz Drucker.

A noção de "oportunidade" veio para se tornar centro de muitas das definições atuais de empreendedorismo. É o modo como os teóricos em gestão da atualidade capturam as noções de Say de mover os recursos econômicos para áreas de grande retorno. Neste sentido uma oportunidade, presumidamente, significa uma chance de criar valor. Os empreendedores têm a mente programada de tal forma que vêm mais as possibilidades do que os problemas criados pelas mudanças.

Para Drucker, iniciar um negócio não é nem necessário, nem suficiente para o empreendedorismo. Ele comenta explicitamente que "nem todo novo pequeno negócio é empreendedor ou representa o empreendedorismo."

(2) Howard Stevenson, um dos principais teóricos do empreendedorismo na Escola de Administração de Harvard (Harvard Business School), baseado em pesquisas por ele conduzidas para determinar o que distingue gestão empreendedora das formas mais comuns de gestão "administrativa", adicionou um elemento de engenhosidade na definição de empreendedorismo orientada pela oportunidade.

Após ter identificado várias dimensões de diferenças, ele sugere definir o coração da gestão empreendedora como "a perseguição da oportunidade sem considerar os recursos normalmente controlados."

Ele descobriu que os empreendedores não somente vêem e perseguem as oportunidades que iludem os gerentes administrativos; empreendedores não permitem que seus próprios talentos iniciais limitem suas opções.

(3) Elizabeth Barrett Browning, admite que para o empreendedor, seu alcance excede o alcance de suas garras. Empreendedores mobilizam os recursos dos outros para alcançar objetivos empreendedores. Administradores permitem que seus recursos existentes e a descrição das suas tarefas restrinjam suas visões e ações. Uma vez mais temos uma definição de empreendedorismo que não é limitada a abertura de negócios.

 

Adaptado do original em Inglês

http://www.gsb.stanford.edu/services/news/DeesSocentrepPaper.html